domingo, novembro 05, 2006

CARA DE CAVALO

Momentos antes da clínica do Eric Johnson no EM&T, estava conversando com o André Christovam e o Wanderson Bersani. Enquanto tentávamos consumir a ansiedade, chegou por ali outro guitarrista, o Don Sil. Figura simpática e igualmente agitada pela iminente clínica do Eric Johnson. Entre outros assuntos, o Don Sil me entregou um CD e disse que era de seu grupo, o Cara de Cavalo. Pelo que ele me comentou na hora, eu imaginei um som bastante acústico, mesmo porque na contracapa ele e seu companheiro de música Macaue aparecem tocando violão. Don Sil estava visivelmente agitado por causa do Eric Johnson e nós acabamos não conversando direito sobre suas músicas. Ele apenas me disse: “escute e depois me diga o que achou”. Pois bem, lá por quarta-feira consegui finalmente escutar o CD do Cara de Cavalo, intitulado “Estéreo”. São doze faixas e na terceira eu me lembrei da impressão que tive no EM&T e percebi como estava totalmente enganado. Há violão sim – tocado por Macaue, mas fazendo uma excelente parceria com a guitarra de Don Sil. A sonoridade transita bastante por pop rock tranqüilo, daqueles de se ouvir no carro indo para uma promissora noite de sábado. Eu poderia indicar “Menino de Rua” e “O Erro” como um bom começo para ouvir o CD, mas prefiro que você encontre as suas preferências. Vale a pena. O trabalho com as guitarras e violões ficou de primeira linha. Timbres nem encorpados, nem magros. Está na medida do bom gosto musical e do refinamento que apenas músicos competentes conseguem produzir.

sexta-feira, outubro 27, 2006

O SONO DE UM MESTRE


No final dos anos 1960, os baianos Caetano Veloso e Gilberto Gil conseguiram avançar nossa música um estágio adiante. Era a Tropicália, que, entre outras coisas, incrementou a guitarra na MPB - para total desaprovação dos mais conservadores. Um idéia genial. Hoje, a guitarra está inserida nos mais diversos estilos musicais de maneira sublime. Entretanto, o que seria de uma idéia criativa se não houvesse um par de ouvidos geniais? Nada disso teria acontecido da mesma forma se o maestro e arranjador Rogério Duprat tivesse ficado de fora da Tropicália. Musicalmente falando, tenho lá minhas dúvidas se as composições de Caetano e Gil tivessem funcionado tão bem quanto o que se ouve em discos como "Tropicália Ou Panis Et Circensis" (1968). Rogério Duprat foi um verdadeiro punk, um autêntico gênio da música brasileira, capaz de desconsertar para inovar com bom gosto, com harmonia e criar soluções perfeitas de arranjos para agasalhar qualquer canção. A nossa música deve muito a esta célebre figura.
O maestro sofria do mal de Alzheimer e câncer de bexiga. Nesta quinta-feira paulistana, dia 26 de outubro, Rogério Duprat não resistiu e morreu, aos 74 anos. Deixo aqui a minha homenagem e o meu agradecimento a este mestre da música.
Henrique Inglez de Souza

domingo, outubro 22, 2006

BOSS GUITAR DAY


Para comemorar seus trinta anos de existência, a BOSS trouxe ao Brasil ninguém menos que o “pai” dos efeitos mais recentes que lançou – incluindo a GT-8. O alemão gente fina Gundy Keller fez uma curta temporada de quatro dias (18 – 21/outubro), passando por São Paulo, Vitória e Brasília. No dia 21, pleno sábado de sol paulistano, o guitarrista se despediu com bom humor, novidades e muita habilidade. Um verdadeiro showman da guitarra. Aqui está a foto que fiz pouco antes da nossa entrevista para a Guitar Player. Eu falei: “finja que é para um comercial de creme dental” – e ele, então, abriu este sorriso ortodôntico.
Fica aqui, também, o meu abraço ao Sérgio Motta (Roland Brasil).
Valeu!
Henrique Inglez de Souza

sexta-feira, outubro 13, 2006

KISS x VAN HALEN


O que tem a ver Kiss com Van Halen, além da nacionalidade e do rock? Muita gente pode não saber, mas foi Gene Simmons quem descobriu os caras do Van Halen, no final dos anos 1970. Impressionado com o guitarrista, Simmons tratou de apadrinhar a banda rapidamente. Porém, a ligação entre os grupos não pára por aí. O disco "Love Gun", lançado em 1977, traz uma faixa chamada "Christine Sixteen", cantada por Simmons. Na versão original da demo, ao invés de Ace Frehley, o Kiss contou com Eddie Van Halen, que fez um belo solo para a canção. Como eu sei que o solo era belo? Fácil responder: no momento da gravação do disco, Ace Frehley seguiu fielmente o solo que Eddie Van Halen havia feito na demo. É mole?

Henrique Inglez de Souza